| Reino: | Animalia |
| Filo: | Chordata |
| Classe: | Aves |
| Ordem: | Passeriformes |
| Subordem: | Tyranni |
| Infraordem: | Tyrannides |
| Wetmore & Miller, 1926 | |
| Parvordem: | Tyrannida |
| Família: | Tyrannidae |
| Vigors, 1825 | |
| Subfamília: | Fluvicolinae |
| Swainson, 1832 | |
| Espécie: | M. vetula |
A tesoura-cinzenta é uma ave passeriforme da família Tyrannidae. É uma espécie monotípica, ou seja, é a única do seu gênero.
Seu nome científico significa: de Muscicapa = referente ao gênero Muscicapa de Brisson, (1760), papa moscas; e de Pipra = referente ao gênero Pipra de Linnaeus, (1764), tangará; e do (latim) vetula, vetus = velha, mulher velha, anciã. ⇒ Tangará papa moscas envelhecida.
Mede 22 centímetros, como seu nome comum indica, é quase inteiramente cinza opaco, com exceção das asas e da cauda que são de coloração cinza escuro. Sua cauda é longa, distinta e bifurcada.
Não possui subespécies.
A primeira descrição detalhada do ninho da espécie foi feita por Fontana et al. (2000). O ninho foi encontrado em novembro de 1998 e construído em uma clareira em floresta de araucária à 900 m de altitude. O ninho estava localizado em um arbusto não muito denso de vassoura (Baccharis sp.) à 1 m do chão. O formato é de taça aberta, similar aos dos sabiás, com exceção de que a tesoura-cinzenta não usou lama. O exterior é composto principalmente de gramíneas, musgo e alguns gravetos, enquanto a câmara de incubação é trançada com gramíneas finas.
Na ocasião foram encontrados três ovos de cor creme claro. O formato é elíptico de um lado e circular do outro. Todos os ovos possuíam aparentemente o mesmo tamanho e um deles foi aleatoriamente medido e apresentou os seguintes dados: 23 mm na porção mais larga e 17 mm na porção mais estreita.
A espécie é característica de ambientes montanos, geralmente entre 900 e 1500 m, habitando bordas de florestas úmidas, matas de araucária e campos com presença de arbustos como vassouras (Baccharis sp.). Comumente é vista pousada em galhos expostos ou secos, onde realiza voos para capturar insetos e retorna ao mesmo galho. Especula-se que a espécie possa ser uma migrante altitudinal, uma vez que em certas épocas do ano atinge altitudes mais baixas (e.g. Siderópolis/SC, 300 m de altitude, 5 de abril de 2015; Sinimbu/RS, 400 m de altitude, 20 de setembro de 2014).
Espécie restrita à Mata Atlântica do sudeste da América do Sul, ocorre no leste do Paraguai, nordeste da Argentina e leste do Brasil, neste último desde o sudeste da Bahia até o centro-sul do Rio Grande do Sul. Uma sequência de dados obtidos na sua área de distribuição sugere que populações realizam movimentos migratórios no outono/inverno austral desde o leste do Brasil até o Paraguai e a Argentina (Areta & Bodrati 2008). Porém, essa hipótese ainda é inconclusiva.